
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, determinou nesta
segunda-feira (6) o arquivamento das representações, protocoladas pela
oposição, pedindo a abertura de inquérito para investigar a evolução
patrimonial do ministro Antonio Palocci.
Segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”, o patrimônio de
Palocci cresceu 20 vezes entre 2006 e 2010, período em que era deputado
federal. Os pedidos de investigação do ministro foram formulados por
parlamentares de PSDB, DEM e PPS. Depois de recebidas as representações,
Gurgel pediu e Palocci enviou explicações para a evolução patrimonial.
A decisão do procurador foi tomada após analisar os documentos
apresentados pelo ministro. De acordo a legislação brasileira,
parlamentares e ministros de estado possuem foro privilegiado para
acusações no âmbito penal. No despacho, Gurgel afirmou que não é
atribuição da PGR analisar representações que se refiram a atos de
improbidade administrativa, que pertecem à esfera cível. “Os fatos,
entretanto, tais como descritos nas representações, não configuram
infração penal. (…) A lei penal não tipifica como crime a
incompatibilidade entre o patrimônio e a renda declarada. Trata-se de
fato que, em tese, poderá configurar ato de improbidade administrativa”,
afirmou o procurador no documento De acordo com o procurador, não é
crime possuir patrimônio incompatível com a renda.
Segundo ele, isso só pode ser considerado ilegal se a origem dos bens
for ilícita. Para ele, no caso de Palocci, não há indícios de que a
renda tenha sido resultado de “delitos” ou do uso do cargo de deputado
federal para supostamente beneficiar clientes.
Gurgel afirmou ainda que a falta de indícios impede a investigação de
transações imobiliárias e receitas supostamente ilícitas, o que
dependeria da quebra de sigilos do ministro e de terceiros envolvidos
nos negócios da Projeto, empresa de consultoria de Palocci.
Rosenery
Mello do Nascimento, a “fogueteira do Maracanã”, teve constatada morte
cerebral neste sábado, aos 45 anos. Ela estava no Hospital Naval
Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, após sofrer um aneurisma cerebral. Os
médicos tentaram a operação, mas ela não resistiu ao procedimento.

Rosenery ficou famosa por ser protagonista de uma das histórias mais
inusitadas do futebol. Em 1989, durante uma partida válida pelas
Eliminatórias da Copa de 1990 entre Brasil e Chile, ela disparou um
sinalizador usado em navios na direção do campo. Quando a chama chegou
ao chão, o goleiro chileno Rojas caiu no gramado como se tivesse sido
atingido. Formou-se uma confusão no gramado. O arqueiro, sangrando, foi
retirado de campo, assim como a seleção chilena. O árbitro argentino
decidiu então encerrar a partida aos 24 min do segundo tempo, quando o
Brasil vencia por 1 a 0. Rosinery, por sua vez, foi detida pela polícia
em flagrante.
No entanto, a moça não ficou muito tempo presa, já que logo em
seguida todos descobriram que Rojas estava apenas fazendo cena. Imagens
de televisão mostraram que o goleiro aproveitou-se do tumulto para
retirar uma lâmina na luva e cortar o próprio supercílio. Descoberta a
farsa, o goleiro, o treinador Osvaldo Aravena e o médico Daniel
Rodríguez foram banidos do futebol. Porém, Rojas foi anistiado em 2001 e
passou a trabalhar como treinador de goleiros do São Paulo. O capitão
da equipe, Fernando Astengo, e a Federação Chilena foram suspensos por
quatro anos, impedindo que a seleção disputasse não só a Copa da Itália,
mas também a dos EUA, em 1994.
O Brasil não sofreu nenhuma sanção e nem Rosenery, que ainda embarcou
na fama repentina, concedeu inúmeras entrevistas na televisão e nos
jornais e chegou até mesmo a ser capa da revista Playboy em novembro de
1989.

A
Caixa Econômica Federal
oficializou nesta sexta-feira a desistência de cerca de 500 dos 600
processos em tramitação atualmente no STF, após reunião com o ministro
Cezar Peluso, presidente do tribunal.
Mensalmente, um montante de 430 recursos extraordinários são
distribuídos no STF — há ainda os agravos, cujo número não foi
informado.
De acordo com Jailton Zanon da Silveira, diretor jurídico da Caixa,
as regras para os novos processos também irão mudar. “Se antes o
advogado tinha que pedir autorização para não recorrer ao STF, agora
terá que justificar o porquê do recurso”, afirmou.
Uma pesquisa publicada em maio desse ano pela FGV (Fundação Getúlio
Vargas) mostrou que a Caixa é a maior litigante do STF, seguida pela
Telemar e pelo Banco Central. Foram ajuizados pela Caixa, nos últimos 21
anos, mais de 211.420 processos no STF.
“Queremos ser agora um dos litigantes que menos têm recursos, ou o que menos tem recurso”, afirmou Silveira.
Segundo ele, foram mantidos apenas os processos que têm relevância
para a Caixa por causa da repercussão geral ou sobre os quais o STF
ainda não tenha se manifestado.
Os recursos dos quais a Caixa desiste são, em sua maioria, aqueles
que já têm solução pacificada na jurisprudência ou os de menor valor,
segundo Silveira.
O impacto financeiro dessas desistências –que permitem a execução
imediata de uma sentença contra a Caixa — já foram avaliados, de acordo
com ele, e não representaram prejuízo grande para o banco.
STJ
O executivo da Caixa afirmou ainda que a iniciativa pode ser
estendida ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a outros tribunais.
Para Peluso, “não é impossível que as empresas privadas façam o
mesmo, porque elas têm ainda mais autonomia para decidir quando recorrer
de uma decisão”.
O ministro é autor de uma proposta que prevê que uma sentença possa
ser executada a partir de julgamentos em segunda instância. Ela foi
transformada em proposta de emenda constitucional pelo senador Ricardo
Ferraço, segundo a qual não seria necessário esperar o julgamento pelos
tribunais superiores (STJ e STF) para que a sentença tivesse todos os
efeitos.
NÁDIA GUERLENDA CABRAL/FSP
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